Praticar, refletir e evoluir: a experiência que ensina.

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Século XXI e suas mudanças

Vivemos o século XXI, período marcado por intensas transformações sociais, culturais e tecnológicas. No campo da educação, essas mudanças impactam diretamente a formação e a atuação dos professores, que precisam conciliar teoria e prática diante de desafios cada vez mais complexos. O provérbio “a prática leva à perfeição” nunca foi tão atual quando pensamos na docência contemporânea: de pouco adianta dominar teorias se o professor não vivencia situações reais de sala de aula para desenvolver estratégias eficazes.

Formação Histórica do Educador

Philippe Ariès, em sua obra História social da criança e da família (1981), demonstra que, durante séculos, a educação se deu de forma prática e cotidiana. Os adultos transmitiam suas habilidades para os filhos, que aprendiam pela observação e repetição.

Famílias pobres: as crianças aprendiam o ofício do chefe da família, como agricultura, carpintaria, sapataria ou ferraria. As meninas eram preparadas pelas mães para os cuidados do lar.

Classes médias e abastadas: os meninos eram encaminhados para profissões como medicina, direito ou comércio, aprendendo com mestres ou em escolas.

Nobreza e realeza: recebiam tutores particulares, muitas vezes estrangeiros, com o objetivo de prepará-los para governar povos e reinos.Em comum, todos eram instruídos por pessoas experientes que uniam conhecimento teórico e prático — algo que ainda hoje permanece essencial na formação de educadores.

A Formação Docente no Brasil Contemporâneo

De acordo com o Censo da Educação Superior (BRASIL, 2023), existem aproximadamente 4.000 cursos de Pedagogia no Brasil, sendo 70% ofertados na modalidade a distância (EAD) e 30% presenciais. Embora o currículo teórico seja semelhante, a experiência prática mostra-se insuficiente em muitos casos.Ao ingressar na sala de aula, uma professora iniciante pode se deparar, em uma turma de 1º ano com 30 alunos, com situações como:

• 2 a 3 estudantes com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), sem suporte adequado;

•10 a 15 alunos com dificuldades de aprendizagem;

• E os demais em ritmos heterogêneos.

A faculdade fornece uma base teórica importante, apresentando metodologias, pensadores e práticas pedagógicas. No entanto, a construção prática ocorre apenas no cotidiano escolar, quando o professor se depara com os desafios concretos. Não por acaso, docentes mais experientes conseguem conduzir suas turmas com mais segurança, criando projetos diferenciados e estratégias adaptadas.

Desafios da Docência no Século XXI

Além das dificuldades pedagógicas, os professores enfrentam novos fenômenos sociais:

Uso excessivo de tecnologias: alunos cada vez mais dependentes do celular, o que interfere na atenção em sala de aula e nos estudos em casa.

Violência escolar: de acordo com a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE, 2024), os casos de agressão contra docentes aumentaram em mais de 20% entre 2022 e 2024.

Falta de participação da família: muitos pais não acompanham a vida escolar dos filhos.

Carência de políticas públicas: faltam investimentos, profissionais de apoio e ações preventivas de segurança.

Esses fatores criam uma “bola de neve” que sobrecarrega o professor, exigindo dele não apenas conhecimento pedagógico, mas também habilidades emocionais, de gestão de conflitos e mediação social.

Caminhos Possíveis

Como defende Paulo Freire (1996), “a educação não muda o mundo. A educação muda as pessoas, e as pessoas mudam o mundo”.

Para que essa mudança ocorra, é necessário:

Garantir que os cursos de licenciatura proporcionem não apenas teoria, mas também vivências práticas desde o início;

Formar docentes capazes de planejar aulas criativas, avaliar com fundamentos sólidos e atuar como mediadores sociais;

Aproximar a família do processo educativo, fortalecendo a base da criança;

Investir em políticas públicas de educação e investir em políticas públicas de educação e segurança.

Pesquisas indicam que a prevenção policial precoce pode reduzir em até 30% os índices de criminalidade (IPEA, 2022).Exemplos internacionais, como Finlândia e Coreia do Sul, mostram que investir em educação e na valorização docente resulta em baixos índices de violência e em alto desempenho escolar.

Conclusão

A formação docente no século XXI precisa ir além dos muros da faculdade. O professor deve sair da graduação com sólida base teórica, mas também com experiências práticas que o preparem para enfrentar a complexidade da sala de aula contemporânea. Somente assim teremos educadores capazes de transformar, junto com as famílias e o Estado, o destino da educação no Brasil. Um país que investe em educação constrói não apenas conhecimento, mas também paz social.

Referências

ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: LTC, 1981.BRASIL.

Ministério da Educação. Censo da Educação Superior 2023. Brasília: MEC/INEP, 2023.CNTE.

Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação. Relatório sobre violência contra docentes 2024. Brasília: CNTE, 2024.

FREIRE, P. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.

IPEA. Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Estudos sobre prevenção criminal e políticas públicas. Brasília: IPEA, 2022.

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