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“Enquanto uns se desesperam com a sujeira, outros reconhecem nela o primeiro passo da verdadeira aprendizagem.”

Quem trabalha na Educação Infantil sabe bem: se a criança cai, é culpa da professora.

Se se suja, é culpa da professora.Se rasga a roupa, se molha, se enrola na lama — de novo, culpa da professora.

Vivemos um tempo em que a infância está sendo protegida ao ponto de ser aprisionada.

Nossas crianças vivem em bolhas cuidadosamente criadas, parecidas com a do filme “Jimmy Bolha” (2001), onde o personagem cresce isolado do mundo para não correr riscos.Mas o que é a infância senão um terreno de riscos e descobertas?

Cair, levantar, se sujar, errar, tentar de novo — tudo isso é parte do aprendizado humano.

Entretanto, em nome da segurança e da “boa aparência”, temos criado uma geração que não sabe se equilibrar, não sabe se vestir sozinha, não sabe se frustrar.

E mais grave: não sabe lidar com a própria independência.

Enquanto isso, povos que chamamos de “antigos” — mas que, na verdade, carregam uma sabedoria milenar — continuam ensinando o essencial de forma simples.

Nas culturas indígenas, o aprendizado vem do corpo, da terra e da experiência.

A criança indígena cai, observa, levanta. Aprende a sentir o chão, a se orientar pela natureza, a respeitar o ritmo da vida.

Não há superproteção, há confiança.

Não há medo do erro, há acolhimento do processo.

Talvez o que falte às nossas escolas — e à nossa sociedade — seja reaprender com quem nunca esqueceu o valor do viver.

A independência não se ensina com palavras, se aprende vivendo.

É preciso deixar que as crianças subam nas árvores, que se sujem na lama, que descubram seus próprios limites.

Proteger não é impedir de tentar — é estar por perto quando o tropeço vier.

No século XXI, ignoramos. aprendizados que os povos originários já compreendiam muito antes de nós:

Que o chão ensina, que a queda fortalece e que a liberdade é o primeiro passo da sabedoria.

Avaliação: 5 de 5.

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