
A estrada amarela
Quando eu saí da faculdade, eu acreditava que a educação tinha um roteiro certo.
Bastava seguir os passos, aplicar as metodologias corretas, montar um bom planejamento… e tudo daria certo.
Mas logo descobri que a estrada real da docência é a estrada amarela: linda de longe, cheia de promessas, mas marcada por curvas inesperadas, tempestades, falta de apoio e momentos em que pensamos em parar.
Foi nesse caminho que encontrei os personagens da minha jornada, e percebi que cada um deles estava dentro de mim — e dentro de muitos professores.
O ESPANTALHO

A dúvida sobre minha capacidade
Ele representou os momentos em que achei que não era capaz.
Ele surgiu quando pensei que, por não ter mestrado, doutorado ou uma grande titulação, meu trabalho teria menos valor.
Ele era o pensamento silencioso que dizia: “Será que sei o suficiente?”
Foi ele quem me fez chorar sozinha algumas vezes, me sentir inferior em rodas de conversa acadêmicas ou reuniões pedagógicas.
Mas foi também ele que me fez buscar, adaptar, ler, tentar de novo…
Até descobrir que a sala de aula é uma das maiores escolas do mundo.
Na prática, aprendi que o conhecimento não é medido apenas por títulos —mas pelo impacto que deixamos na vida de cada aluno.
O HOMEM DE LATA

O coração que move a educação
Ele simboliza aquilo que a teoria nunca conseguiu explicar:
o olhar que identifica um aluno triste, a escuta silenciosa, a preocupação com aqueles que aprendem fora do tempo padrão.
A teoria fala de metodologias, mas não ensina como reagir a uma crise emocional, a um ataque de ansiedade, a um aluno com medo de aprender.
Foi nesse momento que percebi que não basta conhecer a técnica — é preciso sentir.
E é exatamente isso que move um professor:
o coração que vemos crescer nos nossos alunos… e dentro de nós.
Quando a teoria falha, é o afeto que salva.
O leão

A coragem de continuar tentando
Ele aparece todos os dias.
É ele quem se levanta quando tudo deu errado.
É ele quem diz: “Tenta de novo.”
O leão é o verbo continuar.
Ele é o que resta quando falta apoio, quando a sala está cheia, quando o planejamento não dá certo e quando o cansaço é grande.
Mas, mesmo assim, damos mais um passo — porque alguém precisa seguir.
A coragem não é a ausência de medo.
É a decisão de continuar mesmo com ele ao lado.
O CAOS QUE NÃO ESTÁ NO PAPEL
Na estrada amarela, entendi que os desafios reais não aparecem nos livros:
• Não há capítulo sobre a falta de tempo.
• Não há artigo científico que ensine a lidar com uma crise de choro.
• Não existe metodologia pronta para a realidade de cada aluno.
• Não existe “passo a passo” quando a teoria não cabe dentro da sala.
Foi aí que compreendi:
A estrada da educação é feita de tentativa, adaptação, erro e recomeço.E, muitas vezes, são justamente esses dias difíceis que nos moldam — muito mais do que qualquer teoria.
E a professora?

Ela segue andando.
Sem varinha, sem manual, sem mágica… mas com algo que ninguém pode dar ou tirar: a vontade de transformar realidades.
Na estrada amarela, percebi que não existe milagre pedagógico.
Mas existe algo muito maior: professores que levantam todo dia e fazem diferença — com o que têm, onde estão.
Próximo Capítulo

Deixe um comentário